Uma cidade dotada de sensores subterrâneos que detectam as condições do tráfego e reprogramam semáforos automaticamente, outra com sistemas de micropurificação da água em tempo real: esses cases verídicos se tornaram possíveis graças à gestão de big data, que pode ser usada inclusive pelo Poder Judiciário, secretarias de segurança e coordenações hospitalares para conter custos e aumentar a eficiência.

Hoje você vai tirar a análise de dados do campo da subjetividade para saber como pode funcionar de forma prática pelo poder público. Confira!

Como a gestão de big data no setor público pode trazer serviços mais econômicos/eficientes?

Os portais das secretarias da fazenda dos municípios devem operar 24×7 em disponibilidade plena para atender os cidadãos em programas de parcelamento de multas, consultas de débitos de IPTU, registros de recursos referentes ao ISS (Imposto sobre Serviços) e ITBI (Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis) etc.

Ocorre que os entes que não possuem uma infraestrutura de TI adequada às suas demandas são incapazes de promover uma gestão de dados eficiente e, com isso, gerenciar com precisão seus ativos, receitas e serviços.

No caso das Unidades da Federação (UFs), ter uma gestão de big data é essencial para controlar remotamente o fluxo de trens do metrô, por exemplo, de forma que as composições sejam acionadas de acordo com a demanda.

É possível também que todo o sistema de vigilância do sistema carcerário seja integrado a soluções de análise de dados, permitindo a identificação antecipada de qualquer movimentação suspeita.

Neste último caso, esse indicativo é gerado por meio de algoritmos, registros computacionais de comportamentos comuns em rebeliões, identificadores de voz/movimentos corporais etc. Na Ciência de Dados, nada é desprezado, uma vez que a computação cognitiva é capaz de captar informações imperceptíveis ao olho humano.

Até agora, estamos falando de apenas algumas possíveis ações, em um universo extenso de uso potencial da análise preditiva. Vamos ver, na prática, quais medidas já vêm sendo adotadas pela administração pública com a gestão de big data:

1. Uso de sistemas baseados em data mining pela Receita para evitar evasão de divisas e sonegação

Já há alguns anos a Receita Federal do Brasil (RFB) utiliza sistemas baseados em mineração de dados para confrontar um oceano de informações advindas de milhões de empresas, transações bancárias e registros fiscais, com fins de ampliar a arrecadação, reduzir fraudes e combater a sonegação.

Atualmente, o Fisco cruza até mesmo dados de companhias aéreas para determinar quem potencialmente está viajando com mais de US$ 500,00 em compras (valor sujeito à declaração).

O sucesso no rastreamento das movimentações financeiras pela Receita nacional estimulou as secretarias fazendárias estaduais/municipais a também implementar uma infraestrutura de serviços de TI baseada em big data.

A Receita gaúcha, por exemplo, utiliza uma plataforma inteligente que cruza e processa, em tempo real, montanhas de dados dos contribuintes estaduais, como consumo de energia, telefonia, compra/venda de matéria-prima e até transporte de mercadorias. 

tecnologia usada é tão poderosa que mesmo informações de recolhimento de IPVA e frequência com que caminhões passam pelos postos de pedágio das rodovias são capturadas pelos sistemas fiscais. Eis um exemplo de sucesso em gestão de big data que pode ser adotado por todas as secretarias do país.

2. Utilização de ferramentas de inteligência artificial para julgar demandas já pacificadas por teses de repercussão geral

De acordo com dados do Conselho Nacional de Justiça, o Brasil alcançou em 2016 a incrível marca de 110 milhões de processos em tramitação, computando todas as instâncias e segmentos do Judiciário. Ocorre que a maior parte dos litígios tem no polo passivo as mesmas empresas e, em geral, versam sobre os mesmos temas.

Ou seja, o Poder Judiciário está transbordando processos cujas demandas são repetitivas e em que apenas o nome dos autores é trocado nas sentenças — juntamente com algumas outras modificações mecânicas que poderiam ser perfeitamente executadas por uma solução em inteligência artificial (IA).

Para ilustrar esse problema de forma mais concreta, vale a pena citar a antiga controvérsia sobre a legalidade ou não do instituto da desaposentação que, pendente de análise no Supremo Tribunal Federal (STF), ocasionou o sobrestamento de milhares de processos nos Tribunais Regionais Federais do país, soterrando ainda mais o Judiciário nacional.

Com a tese de repercussão geral aprovada pelo plenário do Supremo, em 2016, a desaposentação foi considerada uma manobra ilegal, e a decisão dali advinda passou a ter validade sobre todos os tribunais.

Como os Gabinetes de 2ª instância vão julgar cada uma de suas centenas de ações que estavam paradas aguardando posicionamento da Corte Suprema? Uma a uma?  Perceba que por se tratar de entendimento idêntico, a decisão ou acórdão a ser proferido poderia facilmente ser emitido em lotes por soluções em gestão de big data.

3. Implementação de sistemas inteligentes para impulsão de atos administrativos

Emissão de notificações de multas aos munícipes, juntada de petições e requerimentos, expedição de certidões e mandados, transcrição de audiências, consolidação de registros orçamentários: praticamente todos os serviços prestados administrativamente pelo poder público podem ser materializados com o auxílio de soluções eletrônicas com alto poder de processamento de dados.

Nessa perspectiva, a gestão de big data tende a redimensionar a forma de pensar o Estado, tornando-o menos oneroso e mais eficiente. É evidente, no entanto, que esse estágio de uso intensivo de assistentes pessoais virtuais, realidade aumentada e machine learning é posterior à fase de modernização da infraestrutura de TI da administração pública, ainda obsoleta em relação à iniciativa privada.

4. Organização e controle do tráfego de forma incremental

O Brasil já tem algumas experiências interessantes em uso de análise de dados para melhorar o gerenciamento do tráfego nas grandes metrópoles. Até cidades menores, como Ivaiporã, no PR, localizada a cerca de 380 km de Curitiba, já estão implementando esse tipo de recurso.

No caso da cidade paranaense, o que está em teste é um sistema que recebe dados das vias, identifica padrões e fornece previsões para a gestão do tráfego — tudo isso em tempo real. O processamento de dados feito por algoritmos ainda ajuda a organizar incidentes de acordo com a gravidade, bem como controla o tempo dos semáforos de forma mais inteligente.

5. Auxílio na gestão de serviços de saúde pública

A mesma lógica usada na engenharia de tráfego pode ser transposta para a realidade dos hospitais, postos de saúde e prontos-socorros públicos. A unificação dos registros de atendimento (períodos de pico, tempo médio de espera e taxa de rotatividade de leitos, por exemplo) pode alavancar a gestão de big data na saúde com o controle automatizado da logística hospitalar.

Estamos falando de ações que vão desde a definição de força de trabalho nos plantões até a divisão dos atendimentos nas unidades.

6. Otimização da matriz energética nacional

O crescimento mundial do uso da energia eólica e fotovoltaica vem sendo acompanhado da implementação de dispositivos que monitoram permanentemente o consumo em cada estação.

Como essas soluções são capazes de “aprender” com os dados recebidos, torna-se possível prever picos de demanda e, assim, acionar automaticamente fontes suplementares de fornecimento de energia, como as termoelétricas.

Que tal aprofundar ainda mais seus conhecimentos em gestão pública e corporativa para além da gestão de big data? Então conheça agora os 4 tipos de compliance e a importância de cada um deles!