A realidade virtual, antes idealizada como entretenimento em jogos e simulações de esportes radicais, atualmente, está auxiliando no tratamento de diversas doenças.

Pesquisas avançadas em medicina, tecnologia de informação e robótica tem conciliado a realidade virtual para melhorar a qualidade de vida dos pacientes hospitalares, diminuir os incômodos causados pelas enfermidades ou estabilizar as emoções exacerbadas advindas dos transtornos psiquiátricos.

Os estudos têm buscado nessa ferramenta uma forma de minimizar o sofrimento dos pacientes e de treinar os futuros médicos para executarem movimentos cirúrgicos precisos.

Os resultados já são promissores no fortalecimento muscular de pacientes que necessitam de acompanhamento fisioterápico ou na diminuição da dor em indivíduos que padecem da síndrome do membro fantasma.

Em cada caso é possível identificar as potencialidade, apurar os problemas e seguir em busca de melhorias para contemplar um tratamento mais adequado ao paciente que normalmente encontra-se resistente à terapia medicamentosa ou psicoterápica.

Por isso, se você ainda não conhece as tendências de realidade virtual no atendimento a pacientes, conheça o nosso post de hoje e veja as principais pesquisas sobre o assunto.

Principais benefícios da aplicação da realidade virtual na medicina

Os benefícios da aplicação da realidade virtual podem ser mensurados pelos profissionais e por pacientes. No primeiro caso, verifica-se um contexto quase real de situações clínicas que exigem condutas terapêuticas  com a vantagem de ser um ambiente experimental.

Essa vantagem permite apurar erros de precisão cirúrgica, condutas terapêuticas contraindicadas e validar metodologias com eficácia e segurança comprovadas.

Também é possível analisar a estrutura tridimensional de um tecido ou órgão e, com base nisso, realizar cirurgias complexas com maior precisão e sem necessidade de grandes cortes. A simulação virtual permite a discussão de casos clínicos em prol da melhoria de técnicas cirúrgicas e assistência de qualidade ao paciente.

Os benefícios proporcionados ao paciente se refletem em procedimentos menos invasivos, maior acurácia dos resultados e simulação de ambientes reais sem consequências inesperadas.

Assim que os estudos experimentais são extrapolados para a prática clínica, muitos pacientes terão a oportunidade de tratar seus problemas de saúde por meio da realidade virtual.

Mas para isso é preciso levantar recursos para aquisição de tecnologias e um ambiente monitorado, de preferência hospitalar.

Apresentaremos a seguir alguns estudos envolvendo técnicas de realidade virtual com resultados promissores. Acompanhe conosco e boa leitura.

1. Desenho de um jogo virtual para simular situações de emergência obstétrica

Devido à complexidade do procedimento, da possibilidade de intercorrências e da inexperiência clínica dos recém-formados vislumbrou-se a necessidade de melhorar as técnicas de aprendizagem e simular condições reais de emergência obstétrica.

Com base nisso, pesquisadores desenvolveram um jogo virtual em os médicos são colocados em situações de emergência de maternidade em uma sala de parto.  Funciona da seguinte maneira: os profissionais colocam óculos virtuais para conhecerem a rotina das salas de parto e a convivência dessa situação.

Ao final da simulação é obtido um resultado individual conforme acertos e erros dos profissionais e o desempenho é avaliado quanto às intervenções realizadas. Até o presente momento, os resultados animaram os pesquisadores, mas ainda se encontra na fase experimental.

Esse trabalho foi desenvolvido no Departamento de Ginecologia Cirúrgica do Hospital Jeanne de Flandre em parceria com a Universidade de Lille, na França.

2. Reparo de aneurisma endovascular por meio da realidade virtual

Devido à complexidade de se reparar um aneurisma endovascular, muitas técnicas são desenvolvidas no intuito de melhorar a coordenação motora e o desempenho do médico cirurgião.

Pesquisadores fizeram um treinamento utilizando a realidade virtual para simular esse procedimento de reparação e compará-los com execução manual de médicos cirúrgicos mais eficientes.

Os médicos estagiários obtiveram um resultado considerado bom em comparação aos profissionais mais experientes. Esse estudo provou que a simulação de procedimentos em realidade virtual pode ser considerada como adjuvante às técnicas de ensino e às habilidades psicomotoras necessárias à cirurgia.

Essa pesquisa foi desenvolvida no Departamento de Ciências Cardiovasculares juntamente com o Centro de Pesquisas Biomédica da Universidade Leicester no Reino Unido.

3. Tratamento de queimaduras graves por meio de óculos virtuais

A dor advinda de queimaduras de terceiro grau é muito forte. Sabendo disso, é preciso instituir estratégias que diminuam esse sofrimento e garantam uma recuperação da pele do paciente.

Uma estratégia que vem ganhando espaço é a utilização de jogos virtuais durante o procedimento de troca de curativos. Pacientes infantis e adultos colocam os óculos para jogar o SnowWorld, por exemplo.

Trata-se de um jogo em que as pessoas atiram bolas de neve, o que em si é muito simples. Acontece que durante o jogo, os profissionais de saúde realizam a troca dos curativos, pois nesse momento os pacientes estão concentrados em algo prazeroso.

Desse modo, os pacientes destinam sua atenção para o jogo virtual e não ficam apreensivos com a dor sentida pelas queimaduras, tornando a recuperação e regeneração da pele mais rápida.

4. Simulações reais para tratar transtornos de ansiedade e fobias

Transtornos psiquiátricos precisam ser tratados com medicamentos psicotrópicos e acompanhamento de médicos especialistas.

Dessa maneira, a realidade virtual tem como promessa diminuir as medicações e facilitar a psicoterapia. Por meio da simulação de ambientes que causam fobia nos pacientes doentes é possível enfrentar o medo sem grandes consequências.

O terapeuta guia o paciente por meio do ambiente e faz as intervenções terapêuticas necessárias. E quando o doente se sente incomodado, a simulação é cessada rapidamente.

Essas estratégias podem facilitar o tratamento medicamentoso dos doentes que já se encontram em estado de resistência a doença.

A realidade virtual tem sido utilizada além dos propósitos de divertimento. Por meio de simulações reais de acontecimentos ou estruturas teciduais complexas do organismo é possível treinar médicos para cirurgias com maior poder de acurácia.  É também vantajoso para o paciente que pode experimentar estratégias terapêuticas diferenciadas e direcionadas para a doença em questão.

As pesquisas com a aplicação da realidade virtual estão avançando cada vez mais no campo da medicina. Basta investimento, iniciativa, uma boa ideia para fazer experimentos e parcerias para formalizar com os interessados.

E você, conhece algum tratamento baseado na realidade virtual? Gostaria de experimentar seus benefícios? E se tem interesse em ferramentas tecnológicas de sucesso também vai gostar desse texto Entenda como a automatização de processo favorece o hospital.