Enormes salas de arquivo, caixas e mais caixas de papelada, carregar processos para cá e para lá, burocracia sem fim… Tudo isso faz parte da advocacia como a conhecemos, não é mesmo? Entretanto, a situação já está começando a mudar.

Cada vez mais profissionais da área reconhecem a importância da justiça digital para o novo momento do setor público — tanto para os profissionais quanto para os cidadãos. Afinal, a justiça é um dos pilares da sociedade e, portanto, deve manter-se atualizada quanto às tendências e às novas ferramentas disponíveis.

Dessa maneira, é possível oferecer um serviço cada vez mais com qualidade e acessibilidade. Além disso, a justiça digital proporciona mais produtividade, celeridade e até mesmo qualidade de vida para os profissionais da área legal.

Quer ficar por dentro do assunto e saber como a TI pode trilhar o caminho da justiça legal dentro do setor público? Então, continue a leitura e conheça nosso passo a passo!

1. Proporcione acesso aos cidadãos

Um dos princípios da justiça digital, por assim dizer, é proporcionar o acesso dos cidadãos à justiça e ao que está acontecendo no setor público, sem tanta burocracia. Foi esse objetivo que levou um Tribunal Regional do Trabalho (TRT) do Mato Grosso a transmitir processos ao vivo, via streaming, e a criar um canal próprio no YouTube.

Além de permitir que todos os envolvidos e interessados acompanhem os processos em tempo real, a inovação também facilitou o trabalho do próprio TRT. Se antes cada sessão era gravada e armazenada em DVD, tudo passou a ser digital, eliminando tempo de trabalho, diminuindo gastos e acabando com a necessidade de armazenar os discos.

Portanto, ao alinhar-se à justiça digital, é importante considerar as maneiras com que o setor público pode melhorar a qualidade e a facilidade do acesso por parte dos cidadãos. Nesse sentido, a internet, as redes sociais e a tecnologia digital são grandes aliados.

2. Implemente o uso de processos digitais

Na introdução, mencionamos a figura do profissional carregando uma pilha de processos como uma das imagens mais associadas à justiça. Como mudar isso? Por meio da implementação do uso de processos digitais, que prometem revolucionar o setor.

A tendência é tão forte que, atualmente, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) organiza treinamentos para que os associados se familiarizem com o uso das novas tecnologias que, cada vez mais, fazem parte da área. Uma das maiores preocupações é com a padronização dos processos digitais.

Afinal, aos poucos, eles vêm se inserindo com força na justiça. De acordo com o relatório da Justiça em Números, 32,6% dos processos que ingressaram na Justiça do Trabalho em 2013 foram digitais. É um crescimento considerável em relação aos dados levantados no ano anterior, quando apenas 2,1% de processos eram eletrônicos.

Além de aprimorar a agilidade e a produtividade do setor público, o uso de processos digitais traz acessibilidade e transparência — que, voltamos a destacar, são pilares da justiça digital. Isso sem falar na economia e na sustentabilidade representadas pela troca de papéis impressos por documentos eletrônicos (mais sobre isso à frente!).

3. Prepare os funcionários para a mudança

Para quem está acostumado com as coisas do jeito que elas são, pensar sobre justiça digital pode ser assustador. Afinal, é da natureza do ser humano ser resistente a mudanças.

Entretanto, elas são cada vez mais fundamentais para que o setor público possa manter-se atualizado e à altura das necessidades e expectativas da população e dos próprios funcionários, especialmente dos que estão entrando agora para o mercado de trabalho.

Sendo assim, é necessário fazer um trabalho de preparação dentro da equipe, para que seus funcionários aceitem as mudanças trazidas pela justiça digital de braços abertos. Caso contrário, será difícil tornar a tendência uma parte intrínseca da rotina da empresa de TI, o que pode atrapalhar — pelo menos inicialmente — o acesso a seus benefícios.

Portanto, busque treinamentos para que os funcionários se familiarizem com as tecnologias, equipamentos e procedimentos implementados. Além disso, converse claramente com eles sobre a importância da justiça digital para o trabalho de todos, mostrando as vantagens de seus métodos e como eles se beneficiarão com eles.

4. Esqueça (ou, pelo menos, diminua) a papelada

Em 2015, um estudo sobre justiça digital nos Estados Unidos descobriu que o trabalho envolvendo papelada representa o terceiro maior gasto do setor. Trata-se de uma despesa enorme que, com as novas tecnologias, pode ser quase que totalmente eliminada.

Afinal, muito da burocracia rotineira da área judicial (incluindo aqui os tribunais, a polícia e as equipes que atuam em presídios) consiste simplesmente em copiar informações de um formulário para outro. Além disso, muitas vezes, há uma audiência preliminar dedicada exclusivamente a confirmar todas as informações, nomes, datas etc., envolvidos no caso.

Com a justiça digital, todo esse trabalho — e seu consequente gasto de tempo e de dinheiro — deixa de existir. Ele passa a ser totalmente digital, eliminando também a chance de acontecerem erros e o desperdício de papel e de materiais, e mais uma vez contribuindo para a transparência e acessibilidade dos processos.

Afinal, é muito mais fácil disponibilizar um documento digital para que todas as pessoas autorizadas possam acessá-lo, não é mesmo? A diminuição do acúmulo de papel (resultado também dos processos digitais) contribui até mesmo para a saúde dos colaboradores, já que diminui os espaços repletos de ácaro, poeira e umidade.

5. Valorize a oportunidade de ser mais sustentável

Já falamos aqui sobre a sustentabilidade representada pela diminuição do uso de papel, mas o assunto é importante o bastante para merecer seu próprio tópico. O assunto é uma pauta cada vez mais recorrente, graças à crescente urgência em incentivar a população a respeitar a natureza e a contribuir ativamente para seu cuidado.

Nesse sentido, a gigantesca quantidade de papel que pode deixar de ser gasta graças à justiça digital representa um passo muito importante para o setor público. Afinal, hoje, os próprios cidadãos sentem a necessidade de procurar por empresas e profissionais que demonstrem práticas sustentáveis e que não prejudiquem a natureza com seu trabalho.

Sendo assim, a justiça digital representa um diferencial que, além de trazer vantagens profissionais e para a reputação do setor, também rende frutos dos quais todos nós podemos nos beneficiar.

Gostou de saber como você pode levar sua empresa de TI rumo à justiça digital? Quer conhecer outras tendências que prometem revolucionar o setor público? Então, aproveite para conferir também nosso post sobre as 7 oportunidades de crescimento da TI no setor público!